domingo, 4 de maio de 2008

Grau de investimento: como? e aí? e agora?

Para quem não entende direito todo este papo sobre o Brasil ter conseguido o "Grau de Investimento", recomendo a leitura do seguinte artigo:

Exame - Brasil recebe grau de investimento da S&P

Resumindo, uma das 3 agências de rating mundiais, a Standard & Poor's, elevou a nota de risco de crédito do Brasil para BBB-, a menor nota das chamadas "Investment Grade". Muito do dinheiro que circula no mundo, em busca de investimentos, só aterrisa em mercados que possuem tais notas. Somos aquele aluno que sempre ficou de recuperação na escola e pela primeira vez passou de ano, mas com nota 7, o mínimo pra passar. O detalhe é que existem menos de 20 países com tal rating no mundo.

Isso significa que mais dólares entrarão no Brasil daqui em diante, em um processo que não deve acontecer do dia pra noite, mas no médio e longo prazos principalmente. Por isso, melhoram as perspectivas para a Bovespa, ações de empresas de primeira linha ("blue chips") em um primeiro momento e empresas menores mas igualmente sólidas ("small caps") em um segundo momento. Também gera a perspectiva de uma continuada valorização do real, em um momento em que muitos já acreditavam estar se formando um "momentum" de revalorização lenta mas progressiva do dólar frente ao real (para 1,70 ou até 1,80 até o final do ano).

Isso dito, deve-se atentar que:

  • a volatilidade dos mercados mundiais face à crise americana persiste;
  • a história mostra que a chegada do "Investment Grade" não traz necessariamente uma maior valorização da bolsa, nem mesmo garantia de que haja valorização, ainda que a perspectiva seja sim esta;
  • o Brasil ainda tem problemas sérios (alto endividamento do governo, alta tributação, aumento dos gastos, custo Brasil, etc.) que dificultam sobremaneira uma contínua evolução de sua nota (para BBB);
  • uma piora das contas brasileiras e/ou do cenário mundial podem causar uma reversão da nota para BB+, tirando assim o país do "Investment Grade";
  • apesar da S&P ter aberto precedente importante, as outras 2 agências (Moody's e Fitch) ainda não dão indicação de que seja a hora de dar "Investment Grade" ao Brasil (leia este artigo e este outro artigo da Exame).

Isso tudo dito, o impacto do upgrade do risco de crédito brasileiro para "Investment Grade" pela Standard & Poor's foi imediato: pressão forte no real, que fechou com forte queda, e explosão da Bovespa, que fechou com mais de 6% de alta, ofuscando inclusive o anúncio do "Fed" (Federal Reserve Bank americano) de corte de juros de 0,25 pontos, de 2,25% para 2%. Esta euforia imediata retrata um otimismo praticamente consensual para o médio e longo prazos.

E aí? E agora? Se você já possui um portifólio e investe em um mix de ações, renda fixa, e outros investimentos diversos, pode ser o momento de aumentar um pouco (de 10% a 20% dependendo do seu perfil e otimistmo) a fatia relativa às ações neste seu "bolo" de investimentos, conforme recomendação deste artigo:

Exame - Portal do Investidor - Grau de investimento: o que muda nas suas aplicações

Se você no entanto ainda não investe na Bovespa e já cansou de ver o bonde passando a minha recomendação para que não faça nenhuma bobagem é:

  • antes de tudo meter REALMENTE na cabeça que o dinheiro que estará investindo em ações tem que ser um dinheiro que POSSA perder, e não o "leitinho das crianças" - é um pouco de terrorismo, mas lhe prepara muito mais para o sobe e desce da bolsa do que o excesso de otimismo de alguns;
  • em um primeiro momento, deixe quem ENTENDE investir este seu dinheiro para você, colocando-o em um fundo de ações que invista somente em ações de primeira linha, não sem antes investigar taxas de administração e retorno passado x índice Bovespa x outros fundos; se o seu perfil for conservador, escolha um bom fundo de renda fixa, de preferência com juros pós-fixados, visto a perspectiva de alta da SELIC em mais 1%-1,5% para 2008;
  • enquanto o seu dinheiro vai rendendo, instrua-se (no site da própria Bovespa, no Folha Invest, na Central do Investidor da revista Exame, em fóruns e listas de investimento, sites de corretoras e bancos, etc.) e depois coloque o que aprendeu em prática - sem risco - simulando compra e venda de ações no simulador do Folha Invest; considere continuar o aprimoramento através de alguns bons livros e/ou cursos;
  • já com alguma confiança, faça o seu cadastro na corretora de sua preferência, após investigar a sua solidez, mas também as taxas cobradas (corretagem, carregamento, emolumentos, etc.), transfira o seu dinheiro investido na data de aniversário do investimento para a sua conta investimento na corretora, e boas compras (e vendas) na bolsa!

Lembre-se que "quem não arrisca, não petisca" mas que no mercado não tem mágica "quando a possibilidade de retorno é maior, é porque o risco associado também o é". Quem não quer risco ou risco muito baixo, deve se contentar com o retorno da poupança e dos fundos de renda fixa dos grandes bancos brasileiros.